sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A minha História, a minha luta e como aprendi a lidar com a depressão..

Aprendi da pior maneira a não fazer planos e que a via é aquilo que fazemos dela, ou o que nos deixam fazer. Nunca vou esquecer aquela noite em que fiquei a conhecer e a saber o que era uma depressão nervosa.
Andava na Universidade,apesar de não ser o curso que eu queria,no primeiro ano e fiz aquilo que nunca devemos fazer a nós próprios,exigi de mim algo que ninguém consegue alcançar - Ser a melhor e nunca desiludir a família, família essa que era tudo menos normal com os pais sempre a brigar e a separar e juntar constantemente.
Ir para a Universidade foi uma óptima experiência que nos ajuda a "crescer" e eu adorei, mas constantemente era me exigido muito, quase como uma ameaça, cheguei a ouvir "se chumbas mato-te", não liguei muito, na altura, porque a pessoa em questão estava embriagada.
Todos os dias desde que acordava, só parava quando ia para as aulas e dormir, eu estudava, estudava e estudava...mas isso não chegava para mim.
Quando chegaram as frequências do ultimo semestre já eu andava exausta tanto de estudar como da pressão que me era feita para conseguir passar.
Quando chegou o dia da prova oral de História, eu estava mais que preparada, mas para minha surpresa chumbei, foi um choque total para mim, todo o caminho que fiz para casa de autocarro foi a chorar, 50 km a chorar sem parar nem me preocupar com os outros passageiros, quando cheguei a casa ouvi "eu já sabia", o que eu queria era um abraço, alguém que me consolasse e me desse "colo".
Durante um ano lectivo eu estudei que nem uma louca, viram o meu esforço e em vez de me ajudarem deitaram-me mais para baixo.
No dia a seguir resolvi fazer uma "directa", a primeira da minha vida, não jantei porque com o "stress" que andava não tinha fome, comecei então a estudar quando de repente começo a sentir-me esquisita, a minha cabeça estava dormente, gelei, não conseguia respirar, sentia uma aflição no peito, nem sei explicar bem, até que me levaram para o hospital.
No hospital colocaram-me a soro e calmantes, e eu só pedia para me porem a dormir porque não aguentava aquela agitação que sentia, passaram horas até ficar estável, eu só queria que me tivessem "desligado" tal era a minha aflição.
Foi o inicio de esgotamento nervoso, no hospital disse aos meus pais que nunca mais queria voltar a estudar mas o meu pai não gostou da ideia.
Não voltei a estudar, nesse Verão ia diariamente, várias vezes ao dia, ás urgências com ataques de pânico e ansiedade, soube o que era mais tarde, chegava a ficar com os braços paralisados, até que cheguei á medica certa, depois de correr vários médicos e tomar vários medicamentos.
Eu estava um "farrapo", emagreci imenso, passava os dias na cama, chorava imenso, não queria dormir sozinha, e jurei a mim mesma que nunca mais na minha vida iria deixar que alguém mandasse na minha vida, eu que toda a vida fui boa aluna e boa filha, para satisfazer os caprichos de pessoas que não souberam durante uma vida ser pais nem exemplo para ninguém.
Com os tratamentos a pouco e pouco fui recuperando, depois de 5 meses a sofrer, voltei a sentir-me quase como antes, mas nunca mais eu iria ser a mesma, costumo dizer que existiram duas pessoas de mim uma até aos 19 e outra depois da depressão.
A alegria de antes agora era tristeza e medo constante, só podia contar comigo e aprender a controlar os meus ataques de pânico e crises de ansiedade.

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